CIRURGIA DE CÂNCER DE PELE: COMO FUNCIONA E QUANDO É INDICADA

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil e no mundo. Felizmente, quando diagnosticado precocemente, apresenta altas taxas de cura, sendo a cirurgia o tratamento mais comum e, em muitos casos, definitivo para a maioria dos casos.


Como é esse procedimento?

A cirurgia oncológica é o procedimento principal para a maioria dos cânceres de pele, especialmente os não-melanomas (Carcinoma Basocelular e Carcinoma Espinocelular) em estágios iniciais. O objetivo central é a remoção completa do tumor, juntamente com uma margem de segurança de tecido saudável circundante, para garantir que todas as células cancerosas sejam eliminadas.

Quando a Cirurgia é Indicada?

A indicação da cirurgia depende de vários fatores, incluindo o tipo de câncer, seu tamanho, localização, profundidade, estágio e as condições de saúde do paciente.

  • Principal Opção de Tratamento: A cirurgia é a primeira opção para a maioria dos carcinomas basocelulares (CBC) e carcinomas espinocelulares (CEC) localizados.
  • Lesões Iniciais: Tumores pequenos e superficiais são frequentemente curados apenas com a excisão cirúrgica simples.
  • Recorrências: É também indicada para a remoção de tumores que voltaram (recidiva) após tratamentos anteriores.

2. Para Melanoma:

  • Estágios Iniciais e Localizados: Para o melanoma, o tipo mais agressivo, a cirurgia é crucial para remover o tumor primário. A margem de segurança retirada é determinada pela profundidade do tumor (espessura de Breslow).
  • Pesquisa de Linfonodo Sentinela: Em casos de melanomas mais profundos ou de alto risco, pode ser necessária uma cirurgia adicional para identificar e remover o linfonodo sentinela (o primeiro gânglio linfático para onde o câncer provavelmente se disseminaria) para estadiamento da doença. Se o linfonodo sentinela estiver positivo, pode ser indicada a remoção de mais linfonodos (esvaziamento ganglionar) e tratamentos adjuvantes (complementares).
  • Doença Avançada: Em situações avançadas, a cirurgia pode ser usada para remover metástases (processo pelo qual as células cancerígenas se desprendem de um tumor primário, se espalham para outras partes do corpo, como pulmão, fígado, ossos e cérebro) através da corrente sanguínea ou do sistema linfático, e formam novos tumores.) que estejam causando sintomas (cirurgia paliativa) ou como parte de um tratamento combinado (radioterapia, quimioterapia, imunoterapia).

Quais são os Principais Tipos de Cirurgia?

A escolha da técnica cirúrgica é individualizada e feita pelo dermatologista ou cirurgião oncológico. As principais abordagens incluem:

1. Excisão Cirúrgica Simples

É a técnica mais comum.

  • Como é feita: O tumor é removido com um bisturi, juntamente com uma margem de tecido saudável ao redor (margem de segurança).
  • Vantagem: É um procedimento relativamente rápido, geralmente feito com anestesia local em ambiente ambulatorial ou hospitalar. O material removido é enviado para análise (anatomopatológica) para confirmar a remoção completa.

2. Cirurgia Micrográfica de Mohs (CMM)

Técnica especializada que oferece a maior taxa de cura e a máxima preservação de tecido saudável.

  • Como é feita: O cirurgião remove uma camada fina do tumor e, imediatamente, examina 100% das margens do tecido no microscópio, enquanto o paciente aguarda. Se forem detectadas células cancerosas nas bordas, outra camada fina é removida apenas naquela área, e o processo se repete até que todas as margens estejam livres de câncer.
  • Vantagem: Essencial para tumores em áreas esteticamente sensíveis (face, orelhas, pálpebras, nariz), tumores grandes, com limites mal definidos, ou que tenham retornado após outros tratamentos.

3. Curetagem e Eletrodissecação

Usada principalmente para carcinomas basocelulares pequenos e superficiais, de baixo risco, em áreas não críticas.

  • Como é feita: O tumor é removido por raspagem com um instrumento chamado cureta. Em seguida, a área é cauterizada com um eletrodo (eletrodissecação) para destruir as células remanescentes e controlar o sangramento.

4. Cirurgia de Reconstrução

Após a remoção de um tumor grande ou profundo, pode ser necessária uma reconstrução para fechar a ferida e restaurar a aparência estética e a função da área.

  • Como é feita: Pode envolver o fechamento direto, enxertos de pele (quando a pele é retirada de outro local e transplantada para a ferida) ou retalhos (quando o tecido vizinho é movido para cobrir o defeito).

Cuidados e Recuperação

A maioria das cirurgias para câncer de pele (tumores pequenos e superficiais) é feita sob anestesia local e não requer internação prolongada.

  • Pós-operatório: O paciente é orientado sobre a troca de curativos, o uso de medicamentos para dor e a importância de manter a área limpa e seca.
  • Cicatriz: Todo procedimento cirúrgico deixa uma cicatriz. O cirurgião plástico ou oncologista dermatológico especializado utilizará técnicas avançadas para minimizar o impacto estético.
  • Acompanhamento: O acompanhamento médico é essencial. É necessário retornar para a retirada de pontos e, principalmente, para o rastreamento regular a fim de detectar eventuais novos tumores ou recorrências, o mais rápido possível.

A cirurgia é o principal tratamento da maioria dos cânceres de pele. O diagnóstico precoce, seguido pela remoção cirúrgica adequada, garante as melhores chances de cura. Se você notar qualquer lesão suspeita, ferida que não cicatriza ou alteração em uma pinta, procure um dermatologista/oncologista imediatamente. A prevenção e a vigilância são suas maiores aliadas.



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