
Mito perigoso
Existe um mito perigoso e persistente de que pessoas com pele preta ou escura não podem desenvolver câncer de pele. Embora a melanina, o pigmento que dá cor à pele, ofereça certa proteção natural contra os raios ultravioleta (UV), ela não é capaz de impedir totalmente os danos causados pelo sol ou por outros fatores de risco. Essa crença equivocada de que a melanina induz a uma falta de conscientização e, consequentemente, a diagnósticos tardios e prognósticos ruins para a população negra.
É crucial desmistificar essa ideia e entender a verdade: qualquer pessoa, de qualquer cor de pele, pode ter câncer de pele.
De onde vem esse mito?
A ideia de que a pele preta é “imune” ao câncer surgiu porque a incidência da doença é realmente maior em pessoas de pele mais clara. Isso acontece porque a pele clara possui menos melanina, tornando-a mais vulnerável à radiação solar. No entanto, isso não significa que pessoas pretas estejam livres de risco.
O que diz a ciência sobre melanina e proteção solar
A melanina realmente desempenha um papel na proteção contra os danos causados pela radiação ultravioleta. A pele negra, rica em eumelanina (um tipo de melanina), tem um fator de proteção solar (FPS) natural que varia entre 13 e 15. Isso significa que a pele negra leva mais tempo para queimar sob o sol em comparação com a pele mais clara. No entanto, essa proteção não é absoluta.
Pessoas de pele preta também podem ter câncer de pele
Entre os tipos de câncer de pele que mais afetam pessoas de pele preta estão:
- Melanoma acral-lentiginoso: aparece principalmente nas palmas das mãos, solas dos pés e debaixo das unhas. É mais comum em pessoas de pele preta e asiáticas.
- Carcinoma espinocelular: pode surgir em áreas com cicatrizes antigas, feridas crônicas ou regiões constantemente expostas ao sol.
- Carcinoma basocelular: apesar de menos frequente em peles negras, também pode ocorrer.
Os perigos do diagnóstico tardio
Embora a frequência seja menor, o câncer de pele pode sim atingir pessoas de pele preta. A falta de conhecimento e a falsa sensação de segurança levam muitos a não se protegerem do sol e a ignorar sinais de alerta e, em muitos casos, a doença é diagnosticada tardiamente, em estágios mais avançados.
Por que acontece o diagnóstico tardio?
- Falta de conscientização: O mito de que a pele negra está imune ao câncer de pele leva a uma baixa suspeita por parte dos pacientes.
- Pouca divulgação: falta divulgaçãosobre os riscos para esse grupo
- Aparência atípica: O câncer de pele em pessoas de pele escura pode se manifestar de forma diferente. Por exemplo, o melanoma acral lentiginoso, um tipo raro, mas agressivo de melanoma, é o tipo mais comum em pessoas negras e frequentemente aparece em locais não expostos ao sol, como sob as unhas, nas palmas das mãos ou nas solas dos pés.
- Difícil visualização: Lesões em áreas como o couro cabeludo, boca ou nas dobras da pele podem passar despercebidas por mais tempo.
- Profissionais de saúde não preparados: algunsprofissionaisnão estão preparadospara reconhecer sinais em peles mais escuras;
Essa combinação de fatores resulta em um diagnóstico tardio, o que reduz significativamente as chances de cura e aumenta a taxa de mortalidade.
Sinais de alerta e a importância do autoexame
A melhor defesa contra o câncer de pele é a detecção precoce. Pessoas de pele preta devem estar cientes dos sinais de alerta e realizar o autoexame regularmente (clique aqui e VEJA Método ABCDE de autoexame. Procure por:
- Manchas escuras ou marrons que surgem em locais como as palmas das mãos, solas dos pés, debaixo das unhas (podendo se assemelhar a uma mancha de tinta), na boca, no couro cabeludo, nas orelhas ou na região genital.
- Feridas que não cicatrizam.
- Novas pintas ou mudanças em pintas existentes (no formato, cor, tamanho ou textura).
Como se prevenir
A prevenção é essencial para todos, independentemente do tom de pele. Algumas medidas importantes são:
- Usar protetor solar diariamente, Aplique protetor solar com um FPS de no mínimo 30, mesmo em dias nublados;
- Observar regularmente a própria pele, incluindo áreas como pés, unhas e couro cabeludo;
- Evitar exposição solar intensa, principalmente entre 10h e 16h.
- CONSULTAR UM DERMATOLOGISTA: Faça exames regularmente, e em especial, se notar qualquer mancha ou pinta suspeita.
Conclusão
O mito de que pessoas de pele preta não têm câncer de pele é não apenas falso, mas também perigoso. Todos devem se proteger, se observar regularmente e buscar atendimento médico diante de qualquer alteração suspeita na pele. Informação e prevenção são as maiores armas contra a doença.
OBSERVAÇÃO: As explanações contidas neste artigo são de caráter meramente informativo e não devem ser utilizadas para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte o seu médico.
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